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  • Foto do escritorAndré Luiz Figueirêdo

Descortinando o poder de "Satya" no Yoga.

Atualizado: 5 de ago. de 2023




Recentemente, estive lendo sobre "pink money" e "pinkwashing" em meio a outras leituras. São conceitos que não surpreendem, quando reconhecemos uma sociedade na qual o poder de compra passa na frente e determina quem são aliados e quem são alvos, quando conveniente, descartando e invalidando totalmente os que não atendem a esses critérios e supostamente abraçando - com ressalvas - as minorias que a atendem, após MUITA luta. Para variar, por algum motivo, esbarrei nos meus estudos do Yoga e na reflexão sobre a experiência do homem gay neste processo - considerando um corte bem específico deste segmento. Não sei se tenho razão, mas gosto de pensar junto e, para isso, compartilhar é importante.


Filosofia do Yoga e Satya


O Yoga é uma prática que incorpora o desenvolvimento físico, mental e espiritual, tem princípios transcendentais que vão além do aspecto dos movimentos e das posturas. Satya - um dos princípios orientadores do yoga - enfatiza a verdade e a autenticidade. No contexto da sociedade de hoje, Satya pode oferecer uma estrutura poderosa para desafiar as convenções sociais, como a vergonha do homem gay, e encorajar diversas comunidades como a comunidade LGBTQ+ a abraçar seu valor e poder inerentes, até mesmo aproveitando o potencial do "pink money".


As raízes do Yoga remontam à antiga filosofia indiana, visando trazer harmonia e união consigo mesmo e com o mundo. Satya, uma palavra em sânscrito, é muitas vezes traduzido como veracidade e é um dos cinco Yamas - os princípios éticos que orientam os praticantes a levar uma vida harmoniosa e significativa.


Satya não é apenas dizer a verdade; trata-se de viver uma vida com autenticidade e honestidade, tanto em ações quanto em pensamentos. Satya convida os praticantes a serem verdadeiros consigo mesmos e, posteriormente, com o mundo ao seu redor. Incentiva a autorreflexão e a exploração da própria identidade sem medo ou vergonha - ou mesmo abraçando o medo e a vergonha.


Desafiando a vergonha do homem gay:


Em muitas sociedades, indivíduos da comunidade LGBTQ+, particularmente homens gays, enfrentam inúmeros desafios, incluindo vergonha social e discriminação. A vergonha gay sistêmica profundamente arraigada perpetua a noção de que ser gay é algo errado, desviante ou menos valioso. Essa vergonha pode levar à autocensura, repressão e homofobia internalizada entre os homens gays, muitas vezes prejudicando seu bem-estar emocional e sua capacidade de viver autenticamente. Voltando ao começo do texto, não é porque se é exitoso que não há preconceito e discriminação. Na verdade, Além disso, o trauma da vergonha pode servir como combustível para uma vida de excesso de "compensações" por uma identidade com uma "falha imperdoável", ou seja, uma vida em que, inconscientemente, busca-se destaque em determinados aspectos da vida para "compensar" o fato de ser gay. Muitas conquistas podem vir daí, mas quantas delas estão, de fato a favor de quem as executa?


Ao abraçar o princípio de Satya, os indivíduos podem, no individual e no coletivo, desafiar e superar essas crenças limitantes impostas pela sociedade. Eles podem, de modo consciente, usar suas conquistas e destaques ao seu favor e do seu próximo. Praticar Satya encoraja os homens gays a serem fiéis a si mesmos, libertando-se das expectativas sociais que muitas vezes estigmatizam sua orientação sexual. Ao abraçar e amar abertamente seu eu autêntico, os homens gays podem desmantelar os grilhões da vergonha e capacitar outros dentro e fora da comunidade a fazer o mesmo.


Abraçando a Revolução do Pink Money:


Juntamente com a jornada em direção à autoaceitação, Satya também pode desempenhar um papel transformador no empoderamento da comunidade LGBTQ+ em termos econômicos. Reconhecendo o poder econômico e a influência da comunidade, o conceito de "pink money" ganhou popularidade. O pink money refere-se ao poder de compra de indivíduos LGBTQ+ e seus aliados, que tem o potencial de impactar positivamente negócios, mercados e indústrias.


Ao praticar Satya e viver autenticamente, os homens gays estão em uma posição única para reivindicar seu valor e desafiar a narrativa tradicional. Essa autenticidade cria mudança social e inspira um impulso para a inclusão de empresas e indústrias. Muitas marcas reconheceram a importância de apoiar os direitos LGBTQ+ e a inclusão, levando a uma mudança nas estratégias de marketing, criando produtos e serviços LGBTQ+ inclusivos e até mesmo defendendo mudanças sociais.


O poder de Satya, gosto de pensar, reside na transformação individual e coletiva. Ao desafiar as normas sociais, em prol de inclusão e igualdade, abraçar a autenticidade e assumir o controle de seu poder de compra, os homens gays podem, estar na vanguarda do movimento em direção a uma sociedade mais inclusiva. É poder criar um caminho de veracidade sem remorso, que inclua todo o mundo.


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